Dois terminais portuários em Santarém vão a leilão

20/03/2017

Uma semana após o leilão de aeroportos, o governo federal se prepara para a segunda investida no setor de transportes. Vão a leilão nesta quinta-feira dois terminais no porto de Santarém (PA) para movimentação de granéis líquidos - como gasolina, diesel, querosene e etanol.

Contudo, de acordo com o jornal “Valor Econômico”, não é certo que a licitação dos portos replicará o resultado do leilão dos aeroportos de Salvador, Fortaleza, Florianópolis e Porto Alegre. Aeroportos tendem a ter mais liquidez porque não existem muitos à venda no mundo e permitem a geração de uma série de receitas além das tarifárias. Já os terminais portuários do Pará são dedicados a um nicho muito específico e considerados de pequeno porte.

Ainda assim, têm características que podem garantir a transferência à iniciativa privada. São áreas “brownfield” - já ocupadas. Uma está com contrato vencendo e outra opera por meio de decisão judicial, com término vinculado à licitação. As empresas que lá estão - a Distribuidora Equador e a Petróleo Sabbá, joint venture entre Raízen e IB Sabba - dificilmente vão deixar de entrar na disputa, pois têm interesse em manter o negócio. Grupos verticalizados, notadamente que já trabalham na cadeia de combustíveis, também são cotados.

Outra questão é que logística portuária para armazenagem de combustíveis é considerada estratégica na região Norte, especialmente
devido às importações de derivados de petróleo enquanto o Brasil não aumenta o parque de refino naquela região. Na visão de especialistas, a lacuna entre a crescente demanda de combustíveis no Norte e a pouca oferta de tancagem amplia o valor estratégico do negócio, o que pode atrair empresas eminentemente operadoras.

A licitação dos terminais consta da primeira lista de 34 projetos de infraestrutura divulgada pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) de Michel Temer, em setembro de 2016. No material, o governo afirma que as licitações dos dois terminais “são cruciais para a manutenção da distribuição de combustíveis na região, que teve aumento de 24% no consumo de combustíveis entre 2011 e 2014.”

“Não tenho a menor dúvida de que são dois terminais com viabilidade inquestionável. Mas eles só recebem barcaças e não navio de longo curso”, pondera Fabrizio Pierdomenico, sócio da consultoria Agência Porto. O planejamento do porto público de Santarém não permite o recebimento de embarcação de longo curso para combustível. Dessa forma, a carga destinada a Santarém transportada nesse tipo de navio tem de fazer um “tombo” a mais: parar em um outro porto e ser transferida para balsas para chegar até Santarém.

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