Benefícios com bilhete único no Rio representam 58% do Bolsa Família

20/10/2011

Um levantamento do Transporte, Idéias & Notícias mostra que o investimento do governo estadual em subsídios para o Bilhete Único metropolitano no Rio representa quase 60% dos repasses do Bolsa-Família. Desde a criação do Bilhete Único, em fevereiro de 2010, o governo do Rio já investiu mais de R$ 500 milhões em subsídios aos passageiros do transporte público. Só em julho de 2011, foram R$ 32 milhões, valor equivalente a 58% dos repasses do Bolsa Família para os municípios da região metropolitana do Rio no mesmo mês.

Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que o Bilhete Único Metropolitano deu mais chance de emprego aos moradores do Grande Rio. A participação dos que moram fora da capital nos empregos gerados no estado passou de 17,5% para 18,6%. Por dia, 120 mil pessoas são beneficiadas com reduções de tarifa pelo Bilhete Único. Diariamente, elas fazem 350 mil integrações em ônibus, barcas, trens e metrô.

A doméstica Rosilea Esteves, de 37 anos, moradora de Piabetá, na Baixada Fluminense, voltou a sonhar com a casa própria depois que passou a usar o Bilhete Único. Agora, Rosilea economiza R$ 150 por mês e deposita R$ 100 na poupança deste total. E não é só Rosilea que se beneficia com o Bilhete Único. No ônibus que a doméstica vai para o trabalho, outras histórias semelhantes surgem. “Essa economia ajuda bastante, principalmente na obra da casa que a gente está fazendo”, diz João Roberto Souza, laqueador de móveis.

A cabeleireira Viviane Cardoso já chegou a perder o emprego por conta do preço da passagem. Ela é um dos exemplos de como o benefício ajuda a desestimular a favelização. Como gastava R$ 400 por mês, mudou-se para Jacarepaguá, zona oeste do Rio, para perto do emprego. Ia a pé para o trabalho e, mesmo pagando aluguel, economizava R$ 200 por mês. “Depois do Bilhete Único eu retornei para a minha casa própria. A gente está terminando de construir a nossa casa. Cada dinheiro economizado na passagem é uma cama que a gente compra, móveis novos e termina de construir”, disse Viviane.

Com o Bilhete Único Metropolitano, o passageiro gasta no máximo R$ 4,40. No preço está incluída uma segunda viagem, desde que ela seja em outro município e comece até duas horas e meia depois da primeira. A diferença é paga pelo governo estadual. No caso do mecânico Jorge Pires, a economia é de R$ 9 por dia, ou R$ 198 por mês. “Com essa economia, deu até para melhorar a alimentação. Até o humor melhora, né?”, comemora.

Já o Bilhete Único Carioca foi implementado em setembro de 2010. Ele permite que o passageiro use dois ônibus no período de até duas horas, pagando apenas uma passagem. Ao contrário do Bilhete Único Metropolitano, o Carioca não recebe subsídio.

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