Crise financeira internacional ajudará programa de dragagem
21/11/2008
A crise financeira internacional deverá ajudar na realização da dragagem de aprofundamento dos portos brasileiros, especialmente o de Santos. Tudo porque, há dois meses, havia falta de dragas no país em razão da demanda do serviço em outras nações. Agora, por causa da turbulência econômica, muitos projetos foram suspensos, permitindo o envio dos equipamentos ao Brasil, segundo afirmaram empresários do setor ao jornal “A Tribuna”, de Santos.
O Governo Federal incluiu no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) R$ 1,4 bilhão para o aprofundamento dos canais de navegação dos portos. Até agora, já foram abertas três licitações para esse tipo de obra, nos complexos de Santos, Rio Grande (RS) e Recife (PE). Nos três, a licitação permitirá a participação de empresas internacionais, consorciadas ou não a firmas nacionais. Com isso, cresce a possibilidade de trazer dragas ao País.
De acordo com Arnaldo Yazbek, diretor de Obras da Enterpa, uma das duas empresas brasileiras especializadas em dragagem, a expectativa é grande quanto ao sucesso do programa de aprofundamento. Ele destacou que, embora não tenha sido provocado, o momento para a contratação desses serviços é o ideal.
A afirmação de Yazbek tem como base, principalmente, o cenário internacional. Segundo ele, o aquecimento provocado pelas grandes obras que levaram quase toda a frota de dragas do mundo para a Ásia arrefeceu. E é este momento que o País poderá aproveitar. “No mundo inteiro, o Brasil é o único que está com um projeto de aprofundamento de portos em curso, com dinheiro garantido e com necessidade. Os outros (países) estão diminuindo seus projetos por causa da crise. Alguns já terminaram, é verdade, mas outros cancelaram as fases seguintes dos projetos. Essa é a hora”.
Neste contexto, Santos dispara ainda mais na frente. Para o diretor da Enterpa, o volume que deve ser dragado no porto, para que a profundidade passe de 13 metros para 15 metros, é alto e, por isso, atrairá interessados estrangeiros. “Nós já estamos avaliando nossa participação na licitação. Fomos procurados por uma empresa de fora que não fala português, não entende como é o processo no Brasil, e que deve disputar conosco”, disse, lembrando que a parceira terá dragas para disponibilizar ao serviço.
O presidente da Bandeirantes Dragagem, Ricardo Sudahia, também tem uma expectativa positiva quanto ao programa brasileiro de aprofundamento. Segundo ele, o fato de muitas obras pelo mundo terem sido concluídas é um fator preponderante para o interesse pelos portos brasileiros. Sudahia ainda destacou que não acredita na falta de dragas, pois as empresas que se associarem têm equipamentospara trazer ao País.
O consultor de dragagem Octavio Bertacin, que presidiu a extinta empresa Dragaport, não vê um cenário tão positivo. Segundo ele, ainda há falta de dragas no mercado. “Apesar da crise, todas as dragas estão operando. Não tem disponibilidade de equipamento”. Bertacin também comentou que pode haver falta de concorrentes. Ele se baseou no exemplo do Porto de Rio Grande, que abriu a licitação por três vezes e não apareceram pleiteantes ao serviço.
De acordo com o edital de licitação da dragagem de aprofundamento do Porto de Santos, as propostas das empresas interessadas em realizar o serviço devem ser abertas no dia 23 do próximo mês. A previsão da Secretaria Especial de Portos é que os trabalhos tenham início em maio do ano que vem e sejam concluídos em dezembro de 2010. A companhia selecionada terá de ampliar a profundidade do canal e manter essa medida pelos 23 meses seguintes.


