GM teme contaminação da matriz na venda local
18/11/2008
A General Motors do Brasil, que se considera blindada contra o perfil deficitário da matriz nos Estados Unidos, anunciou que finaliza projeto para investir mais US$ 1 bilhão no Brasil para renovação da maior parte da linha de veículos até 2012. Mas, de acordo com a “Gazeta Mercantil”, a manutenção dos postos de trabalho vai depender da reação das vendas até o fim do primeiro trimestre de 2009. “Vamos esperar o comportamento do mercado para saber que decisão tomar”, afirmou Jaime Ardila, presidente da General Motors no Brasil e no Mercosul.
O sindicato que reúne fabricantes de autopeças termina estudo sobre efeitos da crise no setor, que antecipou investimentos, adotou terceiro turno e que agora enfrenta ociosidade. “Não há dúvidas de que haverá demissões na indústria de autopeças”, disse Paulo Butori, presidente do Sindipeças.
Jaime Ardila considera que a injeção de R$ 8 bilhões dos governos federal e paulista para o financiamento de veículos já começou a recuperar as vendas, que caíram 12% em outubro. Para 2009, ele trabalha com dois cenários: conservador (2,6 milhões de unidades) e otimista (2,9 milhões). Para a GM, as vendas totais crescerão este ano 15% e chegarão a 2,85 milhões - a previsão anterior era de 3 milhões.
Além de convocar ontem uma entrevista coletiva, a GM publica nesta terça-feira um comunicado em jornais para evitar que o clima de incerteza da matriz contamine o consumidor brasileiro. Ardila diz que o Brasil tem operação rentável desde 2006 e que a matriz aguarda empréstimo-ponte do governo norte-americano. O executivo afirmou que a GM foi pega de surpresa nos EUA pela crise quando se reestruturava, “mas não vai pedir concordata”.


