Barão de Mauá será ponto de partida do TAV

12/09/2008

Mais de dez traçados estão sendo analisados por especialistas em transporte para a construção da linha de trem-bala entre Rio e São Paulo. Se o estudo de viabilidade ainda aponta dúvidas em relação ao melhor percurso, duas alternativas já foram dadas como certas: a saída da estação Barão de Mauá (Leopoldina) e a parada no Aeroporto Internacional Tom Jobim. Dessa forma, segundo o governo do estado, turistas que visitarem a cidade, principalmente no caso de o Rio sediar as Olimpíadas em 2016, também poderiam se beneficiar com o trem rápido, sem correr riscos nos constantes assaltos na saída do aeroporto. A novidade foi bem recebida pela Infraero e entidades de turismo.

Como informou a coluna Negócios & Cia, de “O Globo”, os técnicos da Halcrow Group, empresa que lidera o consórcio encarregado do estudo de viabilidade do trem-bala, se reuniram nesta quinta no BNDES com representantes dos municípios da Baixada Fluminense para discutir eventuais restrições físicas, ambientais e sociais de cada uma das cidades em relação ao projeto. Completam o time de técnicos para o estudo de viabilidade as empresas brasileiras Sinergia Estudos e Projetos e Balman Consultores Associados.

Nesta sexta haverá uma nova reunião, desta vez com representantes de cidades fluminenses do Vale do Paraíba, onde ficará a outra estação intermediária, antes da chegada do trem-bala a São Paulo. As mais cotadas são Resende, Volta Redonda e Porto Real.

O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, está otimista em relação aos estudos do projeto. Para buscar o melhor traçado, especialistas estão utilizando tecnologia de ponta, que também foi usada na implantação de estações do metrô de Londres. “O programa mostra questões geográficas, topográficas e sociais da cidade, calculando todas as alternativas possíveis. Ele já foi usado no metrô em Londres, onde foram empregados 70 bilhões de libras”, explica o secretário.

De acordo com os estudos, a melhor saída do trem-bala é a estação da Leopoldina, desativada há mais de cinco anos. A alternativa da Central do Brasil, que vinha sendo cotada para receber o empreendimento, foi descartada porque já opera com grande quantidade de passageiros.

Saindo da Leopoldina, toda a área do entorno passaria por um grande processo de revitalização. “A vantagem é que temos uma área no entorno da estação até o Maracanã e a Quinta da Boa Vista, de mais de onze milhões de metros quadrados de terrenos públicos de estado, prefeitura e União, o que facilitaria a revitalização da área e a construção de novos empreendimentos”, explica o secretário de Transportes.

O trajeto ainda está sendo discutido com outros municípios dos estados do Rio e de São Paulo. A previsão é construir estações intermediárias que ficariam na área de Volta Redonda, no Rio, e em São José dos Campos, em São Paulo. O trem-bala também faria uma parada no Aeroporto de Guarulhos. O maior obstáculo encontrado é a Serra das Araras, devido a seu aclive.

De acordo com o governo do estado, o trem-bala custará cerca de US$ 18 bilhões. O trajeto entre Rio e São Paulo seria feito em uma hora e 25 minutos, e a passagem custaria entre R$ 130 e R$ 150. Cada trem tem capacidade para mil passageiros.

Até o momento, uma das maiores apostas do secretário Júlio Lopes em relação ao empreendimento é a parada no Aeroporto Tom Jobim. “Mesmo que todo o traçado do trem-bala não fique pronto a tempo para as Olimpíadas, podemos concluir o trajeto até o Galeão antes desse prazo”, disse.

A notícia sobre a possibilidade de o Tom Jobim receber uma estação do trem-bala foi bem recebida pela Infraero, que aposta na integração do aeroporto com um transporte de massa de qualidade. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, acredita que a iniciativa será ótima para o turismo.

“Isso seria maravilhoso. A cidade precisa de um transporte como este, o que livraria os turistas do trânsito caótico. O Rio também ficaria habilitado para receber turistas que vão para São Paulo, mas que gostariam de passar um dia na cidade”, afirmou o presidente da ABIH-RJ.

Em nota, o BNDES informou que considerou o encontro muito positivo e que, posteriormente e ainda sem data definida, haverá novas reuniões com autoridades dos municípios de São Paulo potencialmente afetados pelo projeto. Júlio Lopes também aproveitou para elogiar a parceria do estado com o BNDES. “Os coordenadores estão realizando um excelente trabalho e têm sido bacanas com o estado”.

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