Voltar vôos para a Pampulha seria inviável, diz Infraero
29/08/2008
O superintendente da Infraero no Aeroporto da Pampulha (MG), Cláudio Figueiredo Salviano, disse que seria inadequado o retorno de vôos nacionais direto do aeroporto para outras capitais. De acordo com ele, com a inclusão de 46 vôos com destinos nacionais, solicitados à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) pelas companhias Azul, TAM, Gol e OceanAir, o movimento mensal de passageiros na Pampulha passaria dos atuais 140 mil para 200 mil usuários. No ano, seriam cerca de 2,4 milhões de passageiros, volume acima da capacidade atual do aeroporto, que é de 1,5 milhões de usuários.
“Seria inaceitável submeter os passageiros a esse nível de desconforto”, disse Salviano, um dos participantes da audiência pública realizada ontem pela Comissão de Defesa do Contribuinte e Consumidor da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, para discutir o pedido feito à Anac para autorizar o pouso e decolagem de aeronaves de grande porte no Aeroporto da Pampulha.
Com exceção da TAM, todos os participantes se manifestaram, categoricamente, contra o retorno de vôos nacionais para a Pampulha. Outra unanimidade foi o reconhecimento do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, como principal centro de distribuição de vôos nacionais e internacionais do Estado.
O presidente da comissão, deputado Délio Malheiros, criticou a ausência de representantes da Anac, que alegara “problemas nos vôos vindos do Rio de Janeiro” para não comparecer ao debate. A pedido das empresas Azul, TAM, Gol e OceanAir, a agência estuda alteração da portaria nº 993, que proíbe a operação de aeronaves com capacidade acima de 50 passageiros, pois o aeroporto é destinado a atender apenas a aviação regional.
O gerente comercial da TAM, Eduardo Terci, adiantou que se a Anac autorizar as operações para São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, a empresa irá oferecer 18 vôos, em aeronaves com capacidade de transportar 144 passageiros. Os aviões, no entanto, terão que ser adaptados.
Competição. Segundo a secretária de Estado de Turismo, Érica Drumond, a nova portaria em análise pela Anac prevê operações com aeronaves de até 120 lugares. A secretária avalia que está havendo uma “guerra de mercado” entre as companhias, com o anúncio de entrada em operação da Azul, prevista para janeiro de 2009 - ou antes.
Eduardo Terci disse que Minas Gerais é o quarto principal mercado da companhia, que transporta mais de 90 mil passageiros em Confins. Ele disse ainda que a frota de 120 aeronaves da companhia suporta o aumento da demanda na Pampulha. “Não estamos falando em transferência, mas a abertura de novos vôos, pois há demanda”, disse.
Para o coordenador de Comércio Exterior da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Accácio Santos, há 30 anos os aeroportos do mundo inteiro deixaram de ser um mero campo de aviação para pouso e decolagem de aeronaves. “O Brasil vai ficar fora disso?”, questionou.
Ampliação do aeroporto Tancredo Neves pode passar dos R$ 144 mi
O superintendente da Infraero no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, Adair Moreira Júnior, disse que o volume de recursos para ampliação do terminal de passageiros em Confins pode ser superior a R$ 144 milhões, estimados inicialmente pelo órgão.
Segundo ele, ainda neste ano haverá a publicação do edital de licitação, no valor de R$ 3,5 milhões, do projeto de ampliação do aeroporto. “Esse projeto é que vai definir os valores”, disse.
Com as obras, a movimentação anual de passageiros será de até 10 milhões, o dobro da capacidade atual. Até o próximo ano, segundo Moreira, já estão assegurados investimentos de R$ 14 milhões para várias obras, entre elas a reforma do pátio das aeronaves, reforma das salas de embarque e desembarque internacional e ampliação da área de estacionamento.
Deputado pretende ir à Justiça
O deputado estadual Alencar da Silveira Júnior disse ontem que irá impetrar uma ação civil pública para impedir que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorize o retorno de vôos nacionais para o Aeroporto da Pampulha.
A portaria nº 933 prevê que vôos de lá com destino às capitais de outros Estados podem ser realizados, desde que haja ao menos uma escala intermediária, em aeroporto do interior de Minas.
“Não podemos deixar que todo o esforço de anos para a transferência de vôos para Confins vá para o ralo”, disse.
Fonte: O Tempo


